domingo, 9 de janeiro de 2011




Depois dos cumprimentos, perguntará sobre os velhos hábitos; se ainda os tem, se assiste à novela das seis, vai ao futebol aos sábados e sai com os amigos aos domingos – como que para checar se as coisas ainda se mantêm em seus devidos lugares.
Ouvirá que parou de fumar, mas não dispensa a boa pelada e uma loura gelada ao final do expediente; seguida de uma falsa curiosidade sobre sua atual rotina.
Você responderá, mais por obrigação do que por vontade, e tentará o fazer de forma mais natural e descontraída possível. Então, por falta de assunto, tentarão rir dos momentos em que estiveram juntos.
Não vai funcionar – saiba disso. Essa é, de longe, a parte mais dolorosa da tentativa de amizade pós término. As dores ainda dormem um sono leve e rir de feridas não cicatrizadas machuca muito mais.
Lembrarão da festa em que você caiu, das bebidas que o fizeram embebedar, da noite em que ele fingiu ser gay na frente do seu pai… E irão lembrar e rir e, sem querer, estarão despertando velhos fantasmas que ainda não estavam prontos para acordar. Continuarão, ainda assim… até você falar do primeiro beijo. Vocês irão se doer só de lembrar, e o silêncio aproveitará a brecha e vos separará ainda mais.
Ele fará o que você estava cogitando fazer: pedirá a conta e pagará tudo – inclusive a sua parte. Você se levantará e arriscará um abraço; Tentará lhe dizer o quanto foi bom o reencontrar e vai acabar descobrindo o quanto mentir não é seu forte. Ele murmurará qualquer despedida e cada um vai se virar para o seu lado e ir embora.
Chegará a sua casa e se apressará em por o coração em compressas, alternando entre fogo e gelo. Sentirá a alma implorar por descanso; para que cessem as surras; findem as tentativas… Outra vez. Definitivamente.
Pois, como sabiamente disse Fabrício Carpinejar: “o amor é tão arrogante que não aceita virar amizade.”
Nathália gs. 

Tentarão conversar amigavelmente e verás o que te acontece…

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